Arquitecturas Coloniais Africanas no fim do “Império Português” apresentação do livro

22.05.2017, 17.20-17.3o, Auditório 1, Torre B, FCSH-UNL

Ana Vaz Milheiro. Arquitecturas Coloniais Africanas no fim do “Império Português”. Relógio d’Água, 2017

Apresentação: Johan Lagae

O ensaio que agora se publica resulta das Provas de Agregação realizadas no ISCTE-IUL, em Fevereiro de 2015. Corresponde ao texto da Lição intitulada “Arquitectura da expansão (Império Africano): Obras de Promoção Pública na fase final do colonialismo português (1944-1974)”. Manteve-se a redacção original, com um ritmo próximo da oralidade, assim como a sequência de imagens. Na aula então apresentada, o discurso “falado” confrontava-se com uma narrativa visual. Procurou-se aqui expor a mesma lógica ao continuar a propor duas leituras em paralelo.

A síntese que se expõe decorre de um conjunto de investigações realizadas após 2008 e que, desde 2010, decorrem de projectos coordenados pela autora e financiados por fundos públicos através da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

“A fase final da colonização portuguesa em África acelera os processos de ocupação dos territórios coloniais. O Estado Novo é então responsável pela consolidação dos processos de infraestruturação iniciados no final do século XIX e pela implementação de equipamentos públicos que transformam a realidade da maioria das cidades ultramarinas, reflectindo-se na contemporaneidade. Os contributos para esta paisagem construída vêm dos organismos sediados em Lisboa, sob tutela do Ministério do Ultramar (caso muito particular do Gabinete de Urbanização Colonial criado em 1944, que conhece diferentes desdobramentos até à Revolução de Abril), das Repartições de obras públicas locais e também de promotores particulares que investem através da construção de equipamentos (designadamente de lazer e serviços), contratando profissionais metropolitanos ou já fixados em África.

No caso das obras de promoção pública, esta dinâmica de apropriação espacial aponta para uma estratégia de uniformização da paisagem africana, que pode ser interpretada como manobra de subjugação dos territórios colonizados. Nesta aula dar-se-á particular atenção aos primeiros modos de actuação: ou seja, aos que dependem directamente de decisões políticas dos governos central e provinciais, sendo realizados no âmbito dos diferentes organismos que tratam das Obras Públicas concretizadas no espaço colonial português.” in Introdução


Ana Vaz Milheiro é Professora Auxiliar, com Agregação, no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e investigadora no DINÂMIA’CET-IUL. Doutorada pela Universidade de São Paulo, Brasil (2004). Autora do livro “Nos Trópicos sem Le Corbusier, arquitectura luso-africana no Estado Novo”, que recebeu o Prémio Crítica de Arte e Arquitectura da AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte/Secção Portuguesa)/Fundação Carmona e Costa. Actualmente é Investigadora Responsável do projecto “Coast to Coast – Desenvolvimento infraestrutural tardio na antiga África continental portuguesa (Angola e Moçambique): Análise histórico-crítica e avaliação pós­colonial”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Johan Lagae é Professor Catedrático na Ghent University, onde leciona arquitetura do século XX, com foco especial em contextos não europeus. O seu doutoramento abordou a arquitetura colonial no Congo Belga, tópico sobre o qual tem diversas publicações. Tem publicações também sobre outros tópicos, entre os quais: arquitetura do século XX; história urbana na África Central; conceito de património arquitetónico colonial. Os seus interesses atuais incluem: arquitetura e planeamento na África pós-independência; a emergência de ‘global expert’ na era pós-guerra; a relação entre arquitetura e burocracia, tanto na Bélgica quanto nos territórios coloniais. Co-organizou várias exposições sobre o Congo; entre 2010 e 2014 co-coordenou uma Ação COST dedicada ao tema “European Architecture beyond Europe”

Fotografias: Lukasz Stanek

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