Exposição Virtual

22.05.2017, 11.00-11.30, Auditório A, Reitoria da UNL Campolide

A Exposição Virtual Comum “Jornais e Revistas Coloniais” visa evidenciar o interesse de Bibliotecas, Arquivos e Investigadores pensarem cooperativamente investigação, preservação e acessibilidade das colecções de imprensa periódica colonial, em termos nacionais e internacionais. Reflexão e posicionamento que a Organização considera suficientemente importante para ter reservado um dia do Congresso a um “Encontro Bibliotecas, Arquivos e Investigadores: um debate internacional” a partir da ideia chave “arquivo virtual comum”.

No que respeita a salvaguarda e acesso actuais, a realidade remete-nos para um panorama de títulos difíceis de detectar, colecções em avançado estado de deterioração devido à fragilidade do papel e aos condicionalismos de afectam a sua conservação. Acresce estarem frequentemente dispersas por países, instituições e particulares cujo mapeamento importa realizar. A extrema fragilidade, dispersão, deficiente conhecimento das colecções por parte das instituições e mesmo a invisibilidade desse arquivo nos seus catálogos, dotam de particular sentido agir cooperativamente, quando os recursos são notoriamente limitados. A ideia é optimizar esses recursos e encontrar soluções para conhecer, preservar, unir e devolver virtualmente patrimónios e histórias reconhecidos como próprios e comuns.

Cabe reconhecer que na imprensa periódica (jornais, revistas, boletins, etc) se encontra reflectida e intelectualmente construída parte significativa da história contemporânea dos países que até aos processos de independência integraram o “mundo colonial” (metrópole, colónias) criado pelo império português (ver conceito). Tal é aplicável aos espaços em que pôde florescer e, por omissão que exige reflexão, àqueles onde não pôde desenvolver-se. Podemos mesmo afirmar que foi um instrumento poderoso de criação desse “mundo” na consciência das partes. Frequentemente foi o único lugar público onde puderam intervir – de forma legal ou clandestina, nos países de origem, na emigração ou no exílio – os agentes que se moviam no campo da cultura literária, elemento poderoso de afirmação cultural e política da modernidade. Em ambientes de maior liberdade ou repressão, dependendo do tempo e do espaço, e enquadrados por relações de poder/subalternização, intervieram para expor e debater ideias, designadamente colonialistas e anticolonialistas, escrutinar o poder e os seus agentes, publicar a sua produção literária e artística, afirmar identidades, solidariedades e resistências. Por outro lado, nesta imprensa encontramos dados que interessam ao conhecimento de matérias tão díspares como a evolução dos climas locais, ciclos económicos, práticas sociais e culturais, políticas públicas, movimentos populacionais, etc, de elevada importância científica, económica e cultural actual, como vem sendo reconhecido por especialistas de diversas áreas.

Os promotores e parceiros do Congresso entendem este legado como património de todos os países envolvidos pois a todos envolve. É um desígnio democrático do GIEIPC-IP incentivar a cooperação institucional nacional (dentro de cada país) e internacional na recuperação, preservação e acesso público comum desse património, em condições equitativas, reconhecendo as responsabilidades do mundo académico nesse campo. O Grupo está consciente que as desigualdades internacionais de mobilidade e de acesso às fontes que permitem criar conhecimento no campo das Ciências Sociais e Humanas contribuem poderosamente, a par do mercado de validação do conhecimento criado, para as hierarquias académicas internacionais com impacto significativo em todas as sociedades.

A Exposição Virtual Comum é um projecto promovido e concebido pela Comissão Organizadora do Congresso e seus parceiros, a partir da ideia lançada por Alfredo Caldeira de se criar uma exposição virtual. A Comissão Organizadora propôs que fosse concebida como Comum envolvendo os investigadores, projectos e instituições que apoiam o Grupo de Estudos e as bibliotecas e arquivos participantes do Congresso através dos seus especialistas, muitos com longa experiência de projectos colaborativos. A esmagadora maioria correspondeu sob uma grande pressão de tempo, permitindo que a preparação da exposição incentivasse uma consciência institucional da importância deste património e que avançássemos com o mapeamento de algumas colecções. A intenção nunca foi apresentar uma amostra da imprensa “mais importante” publicada em cada espaço mas evidenciar a diversidade de situações e, sobretudo, testar os efeitos práticos de um posicionamento colaborativo. Convidamos a visitar os periódicos escolhidos e a conhecer melhor os parceiros da exposição.

O Lançamento da Exposição Virtual Comum será no dia 22.05.2017, na Reitoria da UNL Campolide.

%d bloggers like this: