Horácio dos Santos Marques, Arquivo Histórico de Timor

25.05.2017, 09.30-10.50, Biblioteca Nacional de Portugal

A Imprensa Periódica no Fundo Documental da Administração Colonial Portuguesa

Em Timor-Leste, logo após a Restauração da Independência, em 2002, é reconhecido o papel da memória na reconstrução do país, tendo sido criadas diferentes instituições as quais cabe contar como foi. Em 1999 a UNTAET apoia a criação do Nacional Records and Archives Services Seccion (NARAS), cuja existência será formalizada em 2002, como Arquivo Nacional, tutelado pelo Ministério da Administração Interna. Constitui, hoje, a principal fonte de documentos sobre os últimos 50 anos da Administração Colonial Portuguesa e os 24 anos da Administração Indonésia.

Nesta comunicação pretendemos apresentar e contextualizar o espólio existente em Timor -Leste, em particular a imprensa periódica por forma a identificar colecções complementares, que permitam forjar eventuais parcerias e a integração no Arquivo Virtual aqui proposto. São muitos e importantes os documentos sobre Timor-Leste existentes, também, em Arquivos internacionai. Países como Portugal, Austrália, Holanda, Indonésia e India guardam coleções essenciais à escrita da História do nosso país. Considero, no entanto, essencial sublinhar o valor excetional dos documentos existentes em Timor-Leste. São únicos. Milhares de registos que nos permitem conhecer, de forma mais aproximada, o território que em 1945 sobrevive à ocupação do Japão, no âmbito da II Grande Guerra, e os 30 anos que se seguirão. Os Fundos Históricos, na atualidade à guarda do Arquivo Nacional, foram recolhidos desde 2000 e desta essa altura é desenvolvido trabalho para a sua devida salvaguarda. Esforço mais importante, se recordamos que os 24 anos de violência da ocupação indonésia fazem desaparecer documentos importantes. Disso é exemplo o incêndio da Câmara Eclesiástica em 1999, onde se encontrava toda a documentação pertencente à Igreja.

O Fundo da Administração Colonial é constituido por documentos datados, sobretudo, do período 1945-1975. Num momento em que termina a II Guerra Mundial, altura em que os domínios coloniais são cada vez mais questionados, Portugal regressa a Timor paraa implementar os Planos de Fomento. Desde essa data a administração torna-se mais complexa. Os sucessivos governadores e funcionários de todos os organismos produzem informação que permite estudar com detalhe todas as áreas em que intervem a Administração Portuguesa, nomeadamente Planeamento Urbano, Educação, Agricultura, Justiça, Saúde. Entre os milhares de documentos existentes no Arquivo Nacional encontra-se Imprensa Periódica produzida em Timor, nomeadamente “A Voz de Timor”, “Província de Timor”, “Intendência”, “Labaric”, “Informações”, ou em outras colónias como o jornal “Renovação” de Moçambique. Esta participação pretende dar a conhecer o espólio à nossa guarda e estabelecer parcerias que permitam ao Arquivo Nacional de Timor-Leste salvaguardar mais, difundindo melhor.

Horácio dos Santos Marques (Lospalos, 1962) é licenciado em Política Social pelo Instituto de Ciências Governamentais de Jacarta e mestre em Administração Pública pela Universidade Brawijaja, Malang. Foi administrador em órgãos do Poder Local (1989-1999), docente na Universidade de Timor Loro Sa’a (2000-2001) e dirigente de diversos órgãos de Administração Pública desde 2001. Desde 2014 é Director Geral do Arquivo Nacional de Timor-Leste.

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