Rochelle Pinto

24.05 .2017, 17.30-19.00, Anfiteatro III, FLUL

Tom e temperamento – o jornal como género universal

Esta apresentação procura analisar o teor dos jornais aquando do surgimento da imprensa nas colónias portuguesas na Ásia, África e América Latina. Os jornais parecem simbolizar e propiciar a difusão das ideias liberais como corolário do movimento em direção ao constitucionalismo. No entanto, mais do que espelhar a relação da imprensa com o Estado e o público leitor,  esta imagem respondia à conceção universal do que os jornais deveriam ser. Ao lermos as injúrias pessoais, as insinuações e as cartas anônimas que apareciam frequentemente nos jornais, podemos produzir interpretações do jornal enquanto género e forma política baseada nos seus diversos modos de auto-representação. Um conjunto paralelo de repreensões nos jornais pedia aos cidadãos que mantivessem o decoro adequado ao debate público e não abusassem das liberdades concedidas. Tendo em conta que entre os autores de cartas anónimas e panfletos havia chefes de Estado e funcionários proeminentes, perguntamo-nos o que as noções de ordem pública e debate público denotam, e sendo invocadas repetidamente, onde é que existiram antes da chegada da imprensa no mundo lusófono?

Rochelle PintoInvestigadora do Nehru Memorial Museum and Library, Nova Deli. Doutorada em Línguas e Culturas da Ásia do Sul, pela School of Oriental and African Studies da Universidade de Londres. Em 2007 publicou a influente obra Between Empires: print and politics in Goa (Oxford University Press). Os seus interesses e publicações incluem: estudos sobre as políticas do impresso e da escrita na construção da modernidade indiana; estudos sobre o “romance colonial”; economia e casta em Goa no contexto do colonialismo português; conceitos e histórias de cultivo e de propriedade de terra sob o colonialismo português; relações raciais entre Goa e a África Oriental. As suas publicações não académicas incluem relatórios e projectos de investigação sobre a natureza dos arquivos na Índia. Rochelle Pinto ensinou Centre for the Study of Culture and Society em Bangalore e na Universidade de Nova Deli. Em Portugal, foi Professora Convidada do Centro de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra. Recentemente foi Investigadora Convidada do Centre for the Study of Developing Societies, Nova Deli. Presentemente é membro do projecto internacional “Pensando Goa: uma peculiar biblioteca de língua portuguesa” (Universidade de S. Paulo, Brasil) e do Grupo Internacional de Estudos da Imprensa Periódica Colonial do Império Português.

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