P09 – Nas margens do Império Português: o Local no Imperial

24.05.2017, Anfiteatro III , FLUL

P09.A – 14.30-15.50 | P09.B – 16.00-17.20

Dr. Remy Dias – Associate Professor in History, Government College of Arts, Commerce and Science, Quepem {Affiliated to Goa University}, Goa, India

Parag D. Parobo – Assistant Professor in History, Goa University, Goa, India

Alito Siqueira – Investigador Independente, Former Associate Professor in Sociology, Goa University, Goa, India

Resumo: O final do século XIX assistiu à decadência da posição de Portugal enquanto centro do “primeiro império moderno”. A consolidação de outros colonialismos europeus, as transformações nos trajectos do império português reflectidas na imprensa periódica colonial, revelam os complexos mecanismos locais do poder colonial. Afastando-se do posicionamento historiográfico que tende a privilegiar o estado colonial, este painel visa examinar o papel da imprensa periódica colonial na configuração do local. O enfoque no local tem sido amplamente ignorado em grande parte dos estudos mais recentes sobre o império português, razão pela qual gostaríamos de receber contributos de académicos que analisem criticamente a utilização da imprensa periódica colonial para veicular os interesses e ansiedades dos estados coloniais, das elites indígenas e das populações subalternas no império português e noutros impérios. Ao usar fontes arquivísticas, etnográficas e de história oral, o enfoque deverá passar pela contextualização da imprensa periódica colonial e pela compreensão das diferentes respostas locais aos estados coloniais. Interessa-nos a imprensa periódica colonial sedimentada no local, abrindo a possibilidade de compreender a construção do local em termos de políticas coloniais, relação entre línguas, discurso nacionalista, encontro de culturas, mecanismos de casta, migração, políticas eleitorais, produtos e consumo, bem como a formação de identidades e ausências que emergiram ou persistiram durante o período da Primeira República portuguesa. Embora concebido em Goa, este painel acolherá comunicações que abordem a temática noutras colónias e metrópoles.

Palavras-Chave: Imperio Português, Índia Britânica, Goa, Local


P09.A – 14.30-15.50 


1. Joao-Manuel Neves, CREPAL, Univ. Sorbonne Nouvelle – Paris 3, França

Os “asiáticos” na literatura colonial dos anos 1920 sobre Moçambique

Como em relação aos africanos embora num plano completamente distinto, a literatura colonial dos anos 1920 sobre Moçambique abunda em reproduções de estereótipos articulados pelo discurso colonial para marcar o reconhecimento e a reprovação simultâneos das populações originárias do subcontinente indiano e dos seus descendentes. Designados de “asiáticos” mas com mais frequência pelo termo pejorativo de “monhés”, a construção da identidade dos indianos enquanto membros de uma outra “raça”, associada às representações de uma outra cultura, implica a rejeição imediata da sua diferença considerada como negativa. Os indianos são estigmatizados por alegações de “indolência” ou de “imundice” mas sobretudo pela sua religião e pela sua “avareza”. São principalmente acusados de enviar para a Índia todo o dinheiro ganho com o seu comércio em Moçambique. O Alto-Comissário Brito Camacho, por exemplo, atribui‑lhes “excecionais aptidões comerciais” e “uma insaciável fome de dinheiro” equivalentes às dos “judeus”.

Propomos analisar um conjunto de extratos de narrativas coloniais selecionadas entre as que conheceram maior difusão neste período, tendo sido nalguns casos publicadas por capítulos na imprensa da metrópole. Os autores, republicanos, libertários ou favoráveis ao fascismo, cujo discurso apresenta em geral variações sensíveis, concordam no entanto num intransigente desprezo em relação aos “asiáticos”, dirigido sobretudo aos de confissão muçulmana.

Palavras-Chave: Literatura colonial portuguesa, discurso estereotípico racista, Índia, Moçambique, asiático, monhé


2. Parag Parobo, Goa University, Goa, India   

Quando os Gaudas católicos se reconverteram: a imprensa periódica colonial marata e o discurso sobre Shuddhi em Goa  

Nos finais da década de 1920, católicos de origem tribal reconverteram-se ao hinduísmo. O Maharashtra Shuddhi Sangathana e o Hindu Mahasabha foram envolvidos pelo movimento shuddhi com a colaboração de goeses proeminentes que apelaram para que se preparasse o terreno para o retorno dos Gaudas ao hinduísmo. O episódio do movimento shuddhi (literalmente, ‘purificação’), um movimento de reconversão do catolicismo ao hinduísmo, torna interessante a leitura à medida que o evento passa a ser reconhecido a nível local. A “construção” do movimento shuddhi e a produção do discurso na imprensa periódica marata narrativizaram a primazia ontológica do hinduísmo, produzindo um paradigma de sufrimento para a religião, reforçado pela condenação dos portugueses em Goa. Ao fazê-lo, no entanto, a imprensa periódica marata rejeita outros quadros possíveis e tenta esvaziar as complexidades envolvidas no processo de reconversão. A comunicação vai discutir  as formas em que o movimento shuddhi foi traduzido e enquadrado a nível local; a formação da identidade dos conversos e as ausências que surgiram em relação à casta.

Palavras-Chave: Shuddhi, casta, catolicismo, hinduísmo


 3. Maria de Lourdes Bravo da Costa, Goa University, Ph.D. Student, Goa, Índia

Negociando o bloqueio económico: o consumo das classes e massas goesas retratado pela imprensa local da década de 1950 

Esta comunicação procura analisar os efeitos debilitantes do bloqueio económico indiano sobre os Goeses, através da análise de conteúdo da imprensa local, complementando-a com registros etnográficos e arquivísticos. Depois da independência, o governo indiano exigiu que Portugal entregasse os territórios sob o seu domínio. Porém, Salazar recusou desistir da sua política declarada. Não querendo usar da força militar, e tendo a manobra diplomática terminado num impasse, a Índia recurreu ao embargo económico. Goa dependia forçosamente da importação de alimentos já que não havia produção suficiente para o sustento.
No entanto, o movimento da União Indiana foi frustrado em parte pelos portugueses, aumentando as importações de alimentos do exterior. As casas de negócios em Goa ajudaram as potências coloniais a restaurar a normalidade na disponibilização de bens do dia-a-dia para o consumo, usando a imprensa local para divulgar os produtos importados e seduzir os compradores, criando assim uma imagem de abudância junto da comunidade local que não correspondia à realidade. Os alimentos importados estavam fora do alcance da gente comum, que não tinha dinheiro para a comprar. Para piorar as coisas, a Índia também impediu as remessas dos emigrantes para os parentes em Goa. O embargo de 1953 continuou até que o exército indiano usou a força militar e ocupou os territórios portugueses em 1961. A história tem de ser reescrita com dados novos para uma compreensão mais ampla da política internacional.

Palavras-Chave: bloqueio económico, consumo, imprensa


4. Remy Dias, Research Centre in History, Govt. College of Arts, Science & Commerce, Quepem-Goa (Affiliated to Goa University, Goa, Índia

‘Escassez’, Migração e mudanças sócio-culturais no século XX em Goa

(Estudo de periódicos Concanim-Português)

Esta comuicação mostra o modo como Goa negocia a fluidez induzida pela migração nas esferas sócio-cultural e económica, através da análise do discurso nas manchetes, artigos de destaque, furos, etc., em periódicos em Concanim (“Amchó Gão”) e bilíngue e multilíngue (“O amigo do povo”, “O Bombaense”, etc.). Os goeses viam na migração uma forma de fugir à pobreza, à escassez e à fome. As elites controlavam a produção e a distribuição da riqueza através do domínio estruturado de várias instituições. Com o arroz (alimento principal da dieta perenemente “mantido” em escassa oferta e fortemente taxado) produzindo áreas controladas por minorias relevantes (gãocars); as culturas de rendimento de propriedade de bhatkars semifeudais; a administração “inchada” controlando as elites locais, insensível às necessidades e desejos dos mais pobres, dificilmente se materializaram os apelos apaixonados para as reformas sócio-económicas. Com as novas redes de transportes e comunicações entre a Índia britânica e a portuguesa, grandes grupos de subalternos oriundos a Goa não-industrializada reagiram à sua condição lamentável mudando-se para os territórios controlados pela Grã-Bretanha para aproveitar oportunidades comerciais e de emprego. Remessas substanciais ajudaram as famílias a fazer face às despesas, e Goa a superar os défices orçamentários a nível do Estado. Nas aldeias, os emigrantes Indo-Portugueses (em grande parte alfabetizados) na Índia britânica absorveram as ideias liberais da intelligentsia em Bombaim, Karachi, etc. e foram catalisadores da transformação de Goa numa sociedade baseada no consumo tal como configurada na imprensa goesa pós-republicana. Poemas, contos, cartas aos editores oriundas de aldeias até então não representadas nos periódicos constituem uma fonte notável para compreender de que modo a negociação da migração em Goa induziu a mudança.

Palavras-Chave: escassez, fome, migração, ideias liberais, consumo, imprensa vernácula


5. Varsha Kamat, Department of History, P.E.S’s R.S.Naik College of Arts & Science (affiliated to Goa University), Ponda, Goa, India        

A tentativa de Bharat’kar de lusitanisar os Saraswat goeses através das suas publicações

Acreditando que os seus antepassados tinham cometido um erro histórico em não aprender português, em não estabelecer a credibilidade da comunidade hindu em Portugal, nem trabalhar ao lado dos membros cristãos das elites nativas, Bharat’kar escreveu no início do século XX que os hindus estavam a pagar pelos seus atos e omissões aos quais se mantinham presos. Ao manter-se arreigada aos costumes retrógrados a comunidade perdera instrumentos de comunicação interactiva e a oportunidade de afirmar o seu domínio intelectual na narrativa colonial.Nas suas publicações, Bharat’kar interpreta a sociedade hindu goesa à luz da dialética hegeliana, de acordo com a qual a sociedade Hindu progredia, e os Saraswat tornavam-se vetores de mudança opondo-se a rituais sem significado graças ao liberalismo introduzido no Estado colonial com o advento da República. A síntese auspicada é uma sociedade hindu moderna e “ocidentalizada/lusitanizada’ firmemente fundada na cultura do progresso e no nacionalismo. Ele também adverte os agentes da mudança social para serem firmemente enraizados no ethos indiano enquanto vestem roupa lusitana. O seu jornalismo ativista manifestou claramente esta dicotomia. Esta comunicação tem como objetivo analisar  como ‘o oriente é o oriente, e o ocidente é o ocidente, e os dois se encontram’ em várias publicações de ‘Bharat’kar (1912-1949) que pretendiam reformar a comunidade Saraswat aproximando-a da lusitanização com o objetivo maior do progresso da comunidade Hindu, não ganhando amigos nem entre os portugueses nem entre os seus irmãos.

Palavras-Chave: Bharatkar, Saraswat, Hindu, rituais, retrógrados, Lusitanisar, nacionalismo, Índia


 P09.B – 16.00-17.20


6. José Ferreira, ICS, Universidade de Lisboa, Portugal

A foresta e a árvore: debates ambientais na imprensa periódica de Goa no século XIX

Nas últimas décadas diversos investigadores têm vindo a realçar a riqueza da imprensa de Goa nos séculos XIX e XX. Nas páginas das dezenas de jornais publicados na colónia podemos encontrar  sinais dos múltiplos debates que cruzaram questões locais e imperiais. Entre estes, podemos encontrar inúmeros argumentos sobre a modernização da colónia, a transformação da sua paisagem bem como sobre a gestão dos seus recursos naturais. Estas preocupações foram generalizadas na Goa colonial, estando relacionadas com as recentes pesquisas realizadas no domínio da História Ambiental do colonialismo britânico na Índia. Nesta comunicação procuro examinar a dimensão local dos debates ambientais, considerando a resposta da imprensa goesa às iniciativas coloniais de gestão e conservação florestal, que se tornaram particularmente relevantes após a criação de uma Administração Florestal de Goa após 1851. Um exemplo é o debate em torno dos resultados da comissão florestal de 1871, publicados nas páginas de jornais como “O Ultramar”, “A Índia Portuguesa”, ou “A Gazeta de Goa”. Ao analisar essas controvérsias, pretendo mostrar que a imprensa goesa teve um papel fundamental na formação dos debates sobre a política florestal nos séculos XIX e XX, transcendendo os limites da dicotomia local/imperial por meio de idéias e práticas internacionais e intercoloniais.

Palavras-Chave: Goa, Florestas, Imprensa, século XIX


7. Denis Evereth Fernandes, Government College of Arts, Science and Commerce, Quepem (affiliated to Goa University), Goa, India       

Remy Dias, Government College of Arts, Science and Commerce, (affiliated to Goa University), Goa, India 

Festas na igreja – vestindo capas vermelhas, azuis e amarelas. Castas, confrarias, proselitismo: análise do discurso nos periódicos “O Heraldo”, “Vauraddeancho Ixtt”

Esta comunicação pretende discutir as polémicas sobre as castas (até então consideradas tabu na discussão) que afetaram os católicos da Goa portuguesa entre finais do século XIX e começos do século XX, diante da incessante migração para a Índia britânica no intuito de estimular as economias familiares e voltar às aldeias com ideas neo-liberais oriundas das cidades metropolitanas, tal como apresentadas nos editoriais de periódicos locais como “O Heraldo”, “Vauraddeancho Ixtt”. A expansão das fronteiras do catolicismo exigiu que a igreja “igualitária” aceitasse costumes e tradições locais como o sistema hierárquico das castas indianas. A rivalidade Brahmin-Chardo pela dominação, refletida no monopólio de postos e privilégios eclesiásticos, civis, etc. assegurou um status subordinado à grande maioria dos subalternos categorizados como Sudros. As castas dominantes costumavam usar capas vermelhas na igreja em ocasiões festivas, assinalando a sua primazia na sociedade. Os Sudros eram considerados como bens móveis, e a sua subalternidade refletia-se na imprensa periódica colonial, já que eles romperam os grilhões da economia local feudalizada para ganhar a vida na Índia britânica. À medida que as remessas dos emigrantes ajudam a ultrapassar o défice cerealífero das famílias médias, a igreja vai apercebendo-se que é preciso iniciar uma reforma nas confrarias com ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Gradualmente as confrarias reestruturaram-se (não sem derramamento de sangue) para dar espaço e voz a Sudros e outros. A comunicação procura analisar as mudanças refletidas em numerosos artigos e editoriais da imprensa colonial.

Palavras-Chave: Castas, Católicos, Confrarias, Mudança


8. Cristina Portella, Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

Ódio de raça

As opiniões sobre a questão racial expostas em jornais republicanos dirigidos por portugueses em Luanda entre 1880 e 1910 – A Verdade, de Alfredo Mântua, A Província, redigido por Manuel Maria Coelho, e Voz de Angola, sob a direção de Júlio Lobato – refletiram as várias nuances da mesma matriz ideológica colonial que apontava as diferenças físicas – em especial a cor da pele – e culturais como indicativas da inferioridade ou superioridade dos povos. No topo da pirâmide da escala humana estariam os europeus brancos e na base, os negros africanos. Estas teorias forneceram o alicerce filosófico e científico para justificar a colonização na África, Ásia e América como um projeto humanista que visava retirar das trevas da barbárie os seus povos originais. O republicanismo português, envolvido como estava no projeto colonial do seu país, absorveu e propagou essas convenientes teorias sobre a hierarquia humana. O mesmo não aconteceu com o republicanismo dos “filhos do país”, negros e mestiços nascidos em Angola. Apesar de considerarem a cultura europeia superior à dos povos africanos e defenderem a necessidade de os “civilizar”, rejeitavam qualquer vinculação dessa inferioridade cultural a uma inferioridade racial. Por isso, combateram nos jornais que dirigiram em Luanda – O Futuro d’Angola e O Pharol do Povo, ­entre outros – as visões racistas do colonizador em artigos reunidos sob o título de “ódio de raça”.

Palavras-Chave: Imprensa, Angola, racismo


 9.  Daniel Pires – Centro de Estudos Bocageanos, Portugal

Jornais ingleses em Macau na primeira metade do Século XIX      

No século XVIII, os comerciantes estrangeiros tinham acesso exclusivamente a um porto chinês: Cantão. Porém, as tripulações e os navios estavam proibidos de nele permanecer durante seis meses. Demandavam então os seus países de origem. Contudo, os ingleses refugiavam-se em Macau, cidade localizada a 150 quilómetros daquela metrópole, dando continuidade aos seus negócios. Para melhor os efectivar, publicavam jornais e revistas que apresentavam igualmente uma componente cultural de mérito, registando colaboração de, entre outros sinólogos, Robert Morrison, Andrew Ljungstedt, S. Wells Williams, John Robert Morrison. Foram os seguintes: The Canton Register, The Canton Miscellany, The Chinese Courrier, The Chinese Repository, The Evangelist and Miscellanea Sinica e The Canton Press. Nenhuma destas publicações periódicas existe nas bibliotecas e nos arquivos portugueses. Apenas as podemos consultar parcialmente, porquanto as colecções estão incompletas, no SOAS – School of Oriental and African Studies – sediado em Londres. A minha comunicação visa contextualizar e analisar os mencionados periódicos.

Palavras-Chave: Imprensa inglesa, Macau


10. Maria Bertolina Costa – Universidade de Coimbra, Portugal

A rua e as falas impressas: formato público de nação, poder político e imprensa no Maranhão/Brasil pós-independência

Cingida instrumentalmente no processo pela Independência, com apenas quatro anos de existência a imprensa já estava assegurada pela Constituição brasileira de 1824, a partir do princípio da liberdade de expressão pública. Em 1821 é instaurada a primeira tipografia no Maranhão. A atividade jornalística teve início na capital São Luís, com o jornal O Conciliador do Maranhão em 1821, as discussões e polêmicas que envolveram este e outros jornais e os pasquins estavam em torno das posições defendidas entre «brasileiros» e «portugueses» e a ideia do formato público da nação. O Grão-Pará foi a primeira província a manifestar a adesão ao movimento liberal português, em 1821, seguido da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco. No Maranhão, em 6 de abril de 1821, Bernardo da Silveiravi Pinto da Fonseca, governador da província, declarava a «adesão» da província à Revolução do Porto, com o apoio de alguns setores de tropa e membros do Corpo de Comércio e Agricultura. As preocupações em torno das repercussões da Revolução do Porto no Maranhão foram claramente debatidas entre os que apoiavam Pinto da Fonseca e a oposição a este movimento, e ficaram circunscritas entre o velho absolutismo e as novas ideias de liberdade, em que o sufrágio e a representação ficariam limitados aos cidadãos mais prósperos e bem-educados do Maranhão. A significativa presença de portugueses nos principais postos administrativos e o crescimento ostensivo das reivindicações de elementos não-portugueses na participação da vida política da província deram o tom das disputas travadas entre os grupos políticos nas primeiras décadas do século XIX. Encontravam-se homens ilustrados arreigados do ideal reformador que temiam o curso que tomara o processo político na França revolucionária, também intitulados de conservadores, eram simpatizantes do ideário de um liberalismo clássico, que conservava a figura do rei como representante da nação, mas negava a soberania popular. Este liberalismo ganhava forma nos jornais e pasquins, por meio de uma ferramenta que efetivava, na prática, essas aspirações políticas: a Constituição, símbolo da Regeneração Vintista, a palavra expressava os anseios políticos dos membros das elites políticas e intelectuais maranhenses.

Palavras-Chave: Jornais, pasquins, Império, Nação, Brasil, Maranhão


BIOGRAFIAS


Alito Siqueira foi Professor de Sociologia na Universidade de Goa até 2015, ano em que se aposentou. Tem atuado em diversas áreas, nomeadamente: cultura, desenvolvimento, turismo, e mais recentemente práticas pedagógicas de afirmação e resisência.

Carmo D’Souza fez mestrado em ciências; é bacharel, mestre e doutorado em Direito. É professor apoesentado e Diretor do Ismilda Research Consultancy. É orientador de doutorandos em Direito e de visiting professor da Law Schools na Índia Tem vários livros publicados na área do Direito, entre os quais: Legal System in Goa; The Portuguese and Indian Constitutions: A comparative Study (Vol.I), Concepts in Law. Publicou também obras de ficção (Angela’s Goan Identity; Calangute: In Search of Sands, entre outras) e a narrativa de viagem Discovering Discovery.

Cristina Portella é mestre em História da África pela Universidade de Lisboa; investigadora do Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina; doutoranda em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro, bolseira do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Investiga convergências identitárias entre Brasil e Angola na formação do pensamento nacionalista angolano no final do século XVIII e início do XIX.

Daniel Pires é licenciado em Filologia Germânica e doutorado em Cultura Portuguesa, foi professor cooperante na República de S. Tomé e Príncipe e em Moçambique e leccionou português nas Universidades de Glasgow, Macau, Cantão e Goa. É autor de, entre outras, as seguintes obras: Dicionário de Imprensa Literária Portuguesa do Século XX, Dicionário da Imprensa Macaense do Século XIX, Bocage a Imagem e o Verbo, Fotobiografia de Camilo Pessanha, Wenceslau de Moraes: Permanências e Errâncias no Japão, Correspondência de Camilo Pessanha, O Marquês de Pombal, o Padre Malagrida e o Terramoto de 1755 e Padre Malagrida, o Último Condenado ao Fogo da Inquisição. Editou a obra completa de Bocage em 5 volumes e a Clepsidra de Camilo Pessanha. Comissariou várias exposições. Faz parte da comissão das comemorações dos 250 anos do nascimento de Bocage. Dirige o Centro de Estudos Bocageanos desde a sua fundação, em 1999.

Denis Everett Fernandes  (Goa, Índia) é Mestre em História da Arte (2012) tendo aprovado o SET (State Eligibility Test) em 2016. É professor auxiliar no departamento de História do Government College of Arts, Science and Commerce (GCQ) Quepem em Goa, Índia (acreditado pelo NAAC – National Assessment and Accreditation Council). É investigador no History Research Center at GCQ, com o projeto ‘Konkani/Marathi Popular Theatre and societal and ‘green’ concerns & Cultural History in colonial and post-colonial period’. Desenvolve também o projeto ‘Exploring and understanding the Caste Dynamics of the Catholic Community in the Novas Conquistas and its impact on tribal community’. Os seus conhecimentos linguísticos incluem: Inglês, Hindi, Marathi e Konkani. Atualmente está a aprendere o português.

João Manuel Neves. Doutorado em Études du Monde Lusophone, Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Tese sobre literature colonial relacionada com Moçambique. M.A. em Études Portugaises, Brésiliennes et de l’Afrique Lusophone, Universidade Paris-Sorbonne – Paris 4. Tese de mestrado sobre a obra literária de Luís Bernardo Honwana. Áreas de pesquisa: Literatura portuguesa e império; Literatura colonial portuguesa; Discurso africanista português; Pensamento racial português; Literatura e história de Moçambique. Publicações: Encontro com Dori e Pancho Guedes (Porto, Afrontamento, 2013). Artigos em: Interventions: International Journal of Postcolonial Studies, Les Cahiers du CREPAL (Paris), Avanços em Literatura (Associação Internacional de Lusitanistas), Publications de l’École Doctorale 122 (Paris), Mulemba (Luanda).

José Miguel Moura Ferreira, licenciado em História e mestre em História Moderna e dos Descobrimentos pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-NOVA) e bolseiro de doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), desenvolvendo no âmbito do programa doutoral PIUDHist um projecto sobre as repercussões ambientais do colonialism português em Goa durante os séculos XIX e XX.

Maria Bertolina Costa é Doutoranda em Altos Estudos em História, pela Faculdade Letras da Universidade de Coimbra; Mestre em Políticas Públicas, Especialista em História do Brasil Império; Professora de História e Directora do Memorial da Balaiada em Caxias- Maranhão; membro fundador do Instituto Histórico Geográfico de Caxias-Maranhão; integra o Grupo de investigação Sapientia: Grupo de Estudos em Idade Média e Moderna, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico- CNPq, Brasil. É Bolseira da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Brasil.

Maria de Lourdes Bravo da Costa Rodrigues é Assistente aposentada da State Central Library de Goa. É escritora e publicou 7 livros. Participou em vários seminários de história tanto na Índia quanto no estrangeiro. Recentemente, participou em encontros realizados em Portugal, França e Brasil. As suas comunicações foram publicadas em atas de encontros. É colunista na imprensa periódica local; os seus artigos abordam a história socio-cultural de Goa. É doutoranda em História na Goa University.

Parag D. Parobo é Professor Auxiliar de História na Universidade de Goa. A sua investigação principal centra-se na escrita da história a partir de uma perspetiva pós-colonial, e na recuperação de vozes e agenciamentos de grupos sociais marginais. É autor do livro India’s First Democratic Revolution: Dayanand Bandodkar and the Rise of Bahujan in Goa (2015), publicado pela editora Orient BlackSwan, na série New Perspectives in South Asian History 2 –University of York, United Kingdom.

Remy Dias é doutorado pela Universidade de Goa, com uma tese sobre história económica de Goa, com foco especial no Sistema Comunidade 1750-1910, sob supervisão do Dr. Pius Malekandathil e o Prof.Teotonio R. de Souza. Em 2002, foi bolseiro de doutoramento da Fundação Oriente em Portugal e bolseiro do Instituto Camoes. Editou dois livros: Goa in the 20th Century: Its History and Culture, (Institute Menezes Braganza, Panjim; Changing Scenario of Higher EducationEnhancement and Sustenance of Quality Assurance. Participou em numerosos seminários, congressos e colóquios internacionais, nacionais e estaduais. Publicou entre 20 e 24 artigos e capítulos em livros e revistas nacionais e internacionais. É chefe do History Research Centre for Doctoral Studies, Govt. College of Arts, science & Commerce, Quepem-Goa (afiliada à Universidade de Goa). Os seus interesses de investigação incluem: história agrária da Goa Portuguesa; história cultural dos povos indígenos, e história do consumo.

Varsha Vijayendra Kamat é professora associada de História no College of Arts & Science, Ponda, Goa, Índia. É doutorada pela Universidade de Goa; mestre e bacharel em História pela Universidade de Bombaim. As suas áreas de investigação incluem: história Indo-Portuguesa, Estudos comparados dos colonialismos português e britânico, Estudos demográficos de Goa e Concão.

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