P11 – O ambiente construído através da imprensa periódica colonial

23.05.2017, A​uditório C1.04​, 1º piso, Edifício II, ISCTE-IUL

P11.A – 12.00 – 13.20 | P11.B – 14.30-15.50

Alice Santiago Faria – CHAM, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, Universidade dos Açores, Portugal

Resumo: Uma das faces mais visíveis do poder colonial, e uma das mais permanentes, foram as alterações no ambiente construído: a construção de edifícios, portos, estradas, caminhos de ferro ou outras infraestruturas ou as mudanças na paisagem através da florestação, agricultura, etc. Estes são apenas alguns dos exemplos.

Este painel tem como objetivo explorar o papel e afirmar a importância da imprensa periódica colonial – jornais e revistas (gerais ou científicos), publicados nos territórios coloniais ou nas metrópoles – no estudo do ambiente construído, explorando temas como a receção, a circulação de modelos, a discussão e compreensão por parte do público, o uso pelo poder político, entre outros. Alguns destes temas podem ser discutidos através das seguintes questões, às quais não estão limitados: Como é que o ambiente construído foi utilizado pela imprensa, nos territórios coloniais, e na metrópole, como meio de propaganda (quer pelos governos, quer pelas oposições)? Os debates transcoloniais ou circulações de conhecimento (pela circulação de modelos, etc.) eram feitos apenas pela imprensa científica ou também pela imprensa em geral? Quem eram os intervenientes predominantes e quais foram os principais discursos? Como pode receção, e a mudança de receção ao longo do tempo, ser estudada através da imprensa periódica colonial? Como é que essas transformações, feitas no período colonial, eram percetíveis, debatidas, etc. no período pós-colonial através da imprensa?

Palavras-Chave: Ambiente construído, circulação, receção, propaganda, discursos, colonial, transcolonial, pós-colonial


P11.A – 12.00 – 13.20


1. Cibele Aldrovandi – Universidade de São Paulo, Brasil     

Śrī Śāntādurgā Devī nos manuscritos jurídicos e na Imprensa Oficial de Goa: reconstruindo uma paisagem sagrada

Esta comunicação apresenta uma análise da paisagem sagrada associada à deusa Śrī Śāntādurgā e às divindades femininas hindus de Goa discutida a partir de dois tipos distintos de fontes escritas do período colonial: os manuscritos de cunho jurídico e a Imprensa Oficial. O território goês foi profundamente modificado durante o advento colonial português e os templos hindus das Velhas Conquistas foram totalmente destruídos no século XVI. Um levantamento detalhado dos mais antigos Forais de Ilhas, Salcete e Bardez dos séculos XVI e XVII — que contêm o registro sistemático das propriedades que pertenceram àqueles templos e de sua transferência para as mãos dos cristãos —, aliado aos dados fornecidos pelos Compromissos dos templos dos séculos XIX e XX — publicados nos Boletins Oficiais do Governo Geral do Estado da Índia —, permitem compreender a extensão dos cultos às divindades femininas hindus, com ênfase em sua deusa mais popular, Śrī Santeri – Śāntādurgā. A interdiscursividade de caráter ambivalente presente na estratigrafia textual dessas fontes goesas, em língua portuguesa, fornece um retrato indireto e peculiar das transformações históricas ali ocorridas permitindo recuperar importantes informações, cujas sistematização e revisão favorecem uma reconstrução mais precisa da paisagem sagrada hindu pré-colonial, com a consequente diáspora de parte dessas divindades para os territórios vizinhos e o desenvolvimento subsequente da paisagem sagrada hindu contemporânea.

Palavras-Chave: Śrī Śāntādurgā, Goa, Foral, Boletim Oficial, paisagem sagrada, estratigrafia textual


2. Johan Lagae – Ghent University, Dept. of Architecture and Urban Planning, Belgium

Educar a esposa colonial ou impulsionar a agenda do modernismo tropical. A arquitetura nas páginas do “Bulletin de l’Union des Femmes Coloniales”

Nesta comunicação, argumentarei que o “Bulletin de l’Union des Femmes Coloniales” (UFC) constitui uma fonte promissora para estudar a arquitetura colonial no Congo. Publicado entre 1926 e 1961, visava um público de esposas coloniais e servia inicialmente como importante plataforma para educá-las sobre assuntos arquitetónicos, discutindo, por exemplo, como criar condições de habitação confortáveis ​​na colónia ou como decorar o interior. Nos anos imediatos do pós-guerra, o Boletim continuou a desempenhar esse papel, acrescentando uma seção sobre decoração de jardim. Mas também se envolveu numa discussão mais profunda e  então ainda não resolvida sobre o desenvolvimento de uma arquitetura apropriada e contemporânea para o Congo Belga.
Em 1947, o então presidente da UFC, J. Maquet Tombu, lançou um apelo significativo aos arquitetos, escrevendo “on est en droit d’attendre de nos constructeurs coloniaux qu’ils sortent de le banalité d’un style international pour créer une architecture en harmonie avec le sol congolais”. Para o efeito, o conselho editorial convidou vários arquitectos proeminentes (Charles Van Nueten, Claude Laurens) para expressarem as suas opiniões. Assim, o Boletim fornece uma visão única sobre algumas das principais tensões subjacentes à prática da arquitetura do pós-guerra no Congo, permitindo mapear as divergências entre a agenda dos designers “modernistas tropicais” e as expectativas de um “comme chez soi” do colonizador branco médio.

Palavras-Chave: Congo belga, modernismo tropical, habitação, esposa colonial


3. Joaquim Rodrigues dos Santos – ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Portugal

 “É preciso dar vida à Velha Goa”: Os restauros em Velha Goa na imprensa periódica goesa durante o o caso colonial português

Com a independência da União Indiana em 1947, seguiram-se por parte desta diversas exigências e ultimatos para que os territórios indianos sob administração portuguesa fossem integrados numa Índia unida e livre das potências coloniais. Algo que o regime ditatorial português, fortemente nacionalista e imperialista, não poderia admitir, sob pena de se iniciar todo um processo de perda dos territórios ultramarinos que ainda restavam do antigo império colonial. À imagem do sucedido na metrópole, também no Estado da Índia o regime desencadeou um conjunto de acções visando o património arquitectónico, com intuitos ideológicos e propagandísticos. Vários monumentos de Velha Goa sofreram intervenções de restauro aproveitando duas celebrações que foram instrumentalizadas pelo regime: em 1952 seria a Exposição do Corpo de São Francisco Xavier, e em 1960 seria a comemoração do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, associada à celebração dos 450 Anos da Conquista de Goa por Afonso de Albuquerque.

Se para o segundo caso existe um conjunto de documentos que permitem estudar com algum rigor o que terá sido pensado e concretizado ao nível das intervenções patrimoniais, já para o primeiro caso a informação é manifestamente escassa. De facto, com excepção de alguns documentos esparsos e referências mínimas em livros, não é fácil documentar a acção que foi realizada por Baltazar Castro em Velha Goa, alguém que se tornou mal-amado em Portugal e, depois, também no próprio Estado da Índia. Porém, com o recurso à imprensa periódica local, foi possível encontrar e seguir minimamente esse rasto deixado em periódicos goeses, inclusivamente para ambos os períodos em análise. Pretende esta comunicação abordar a questão da imprensa periódica como importante fonte complementar (e, neste caso, primordial) para analisar os restauros nos monumentos de Velha Goa realizados durante o ocaso do período colonial português, facultando um manancial de informação indubitavelmente fundamental para o estudo da temática da salvaguarda patrimonial em Goa durante o período colonial.

Palavras-Chave: Imprensa periódica; Velha Goa; Restauro de monumentos; Período colonial


4.  Rui Simões – Escola Superior de Comunicação Social, Portugal   

Macau renascente: ordenamento e património nos Anuários de Macau (1921-1975)

Os Anuários de Macau situam-se, como publicação seriada, no limite do intervalo editorial da imprensa periódica, constituindo-se a um tempo como arrolamentos dos recursos humanos e patrimoniais do território e como relatos da consistência da sua governação, por acção da administração ou pelo enquadramento desta às actividades, privadas ou associativas, locais. Editados de forma avulsa desde 1879, tornam-se publicações regulares sob Patrocínio directo da administração a partir de 1921, embora com alguns hiatos de edição ou respeitando pontualmente a mais do que um ano e coexistindo, a partir de 1939-40, com outros anuários especializados, nomeadamente sobre Estatística e Educação. Tomados amiúde como fonte para a elaboração de estudos sobre a demografia e o património ou sobre a estrutura e a acção governativa, a natureza da sua agenda editorial e do seu compromisso com uma representação do território, da sua memória e da sua governação, enquanto tal, é raramente discutida. A presente comunicação propõe uma leitura crítica da estrutura e composição do conjunto de Anuários e Directórios editados entre 1921 e 1975, focando em particular o discurso sobre sobre as intervenções, no ordenamento e no património, de iniciativa pública.

Palavras-Chave: Macau, Património, Governação, Anuários


5. Valdiney Valente Lobato de Castro, Universidade Federal do Pará e Germana Maria Araújo Sales, Universidade Federal do Pará

A cidade da corte e as condições de leitura

No início do século XIX, no Rio de Janeiro, principal cidade em quantidade de habitantes, havia um número expressivo de moradores certamente atraídos pelo porto onde se escoava ouro e se importavam os produtos manufaturados. E desde que a cidade tornou-se a capital da colônia muitas ruas, calçamentos e construções como o Palácio dos Vice Reis e o Passeio Público foram erigidas. Do mesmo modo que o espaço urbano se desenvolvia o hábito de ler também dava seus primeiros passos, por mais que limitados ao acesso a livros e jornais que vinham de Portugal. Essa evolução se intensifica com a chegada da Família Real, em 1808, por meio da abertura dos portos a outras nações e da liberdade de imprensa. Com isso, respira-se um ar de progresso por toda a cidade: proliferam-se espaços de leitura como livrarias, bibliotecas e gabinetes. Além disso, surgem diversos periódicos com as novidades diárias, o que forma um público leitor voraz que tem interesse em ler as narrativas publicadas na coluna folhetim, o que, de certo modo, consolida a literatura em terras brasileiras. Diante disso, o objetivo desse estudo é relacionar as transformações ocorridas na Cidade da Corte com as condições de leitura para, assim, desenhar um perfil de leitor oitocentista. Para tanto é necessário investigar os periódicos da época do Brasil Colônia, que abundavam na cidade, e as notícias publicadas nesses suportes, a fim de compreender como o ambiente urbano do Rio de Janeiro contribui para a formação do leitor.

Palavras-Chave: periódicos, Rio de Janeiro, leitor, ambiente


P11.B – 14.30-15.50


6. Corinna Schäfer, University of  Sussex, Reino Unido       

Mensagem de ferro: Caminhos de ferro coloniais e a imprensa dos colonos alemães em Africa

No curto, mas brutal, período do colonialismo alemão em África, os colonos criaram o seu próprio sistema de imprensa. Os jornais tornaram-se um meio importante para os colonos construirem redes de apoio, fazerem ouvir a sua voz avançarem com os seus projetos coloniais. De grande importância para a imprensa dos colonos foi a construção e expansão dos caminhos de ferro. De facto, a imprensa dependia de infra-estruturas coloniais para sua própria existência. Mas os jornais fizeram um lobby poderoso para a construção dos caminhos de ferro principalmente porque estes eram vistos como uma chave para o sucesso do projeto colonial alemão na sua totalidade. Os colaboradores pretendiam convencer o parlamento alemão a conceder dinheiro para projetos de infra-estruturas, para que os colonos se apropriassem e explorassem os territórios africanos em condições de risco mínimo. Os jornais apresentavam-se como fontes especializadas em assuntos ferroviários, discutindo modelos e tipos de construção apropriados. Neste contexto, as colónias vizinhas eram consideradas rivais ou parceiras potenciais.

Nesta comunicação, exploro o discurso dos jornais dos colonos alemães sobre os caminhos de ferro, as imagens que produziu e as ansiedades que revelou. Argumentarei que os caminhos de ferro eram vistos como uma panacéia para aliviar o sentimento de precariedade do colono desencadeado pela maioria africana ao seu redor, bem como pelo cerco imaginado por outras potências imperiais como a Grã-Bretanha.

Palavras-Chave: Colonialismo alemão, caminhos de ferro, jornais de colonos, discurso, Grã-Bretanha/Alemanha


7. Pedro Guedes, The University of Queensland, Australia   

Ubique: Apoio ao projeto imperial da Grã-Bretanha através de revistas de engenharia militar

No final da década de 1820, o espírito de corpo dos Royal Engineers foi comprometido pela dispersão mundial. Muitos foram destacados em guarnições isoladas em todos os continentes. Entre essa elite militar educada, alguns correspondiam com as sociedades científicas já existentes. A edição inaugural de “Papers on Subjects Connected with the Duties of the Corps of Royal Engineers” foi publicada em 1837, tornando-se uma das primeiras revistas britânicas profissionais para cobrir em detalhe assuntos relacionados aos edifícios tropicais. Também publicou artigos sobre temas de interesse emergente, como meteorologia, agrimensura, caminhos de ferro e outros importantes campos de infra-estrutura, bem como obras de engenharia civil – todas as áreas nas quais a Royal Engineers desempenhou papéis importantes no destacamento civil em pátria e no exterior. Em 1864, o “Professional Papers on Indian Engineering” seguiu o mesmo modelo, dando maior ênfase aos edifícios públicos e às obras de engenharia civil, analisando projetos e desenhos de oficiais e engenheiros que trabalhavam nos Departamentos de Obras Públicas. Esta comunicação irá reler estes periódicos e explorar o seu papel de comunicadores eficazes. Focar-se-á nos sistemas de quartéis e hospitais, inicialmente desenvolvidos na década de 1820 para os trópicos úmidos quentes nas Índias Ocidentais.

Esses modelos influenciaram aqueles construídos em outros lugares e na Índia a partir da década de 1860, provocando críticas e debates. O estudo irá comparar estes periódicos com publicações científicas e profissionais contemporâneas e rever o trabalho dos principais colaboradores.

Palavras-Chave: Engenheiros militares, Revistas profissionais, Engenharia colonial, Construção tropical, infraestruturas indianas


8. Elvan Cobb, Cornell University, EUA

Reestruturação de terras otomanas por meio de infraestruturas: os caminhos de ferro da Anatólia Ocidental

Como a concorrência entre as potências européias aumentou durante o século XIX, “o Oriente” tornou-se um espaço contestado para a influência colonial e/ou o controlo direto. A Anatólia ocidental, em particular, foi vista de forma oportunística pelos europeus, especialmente após os movimentos da reforma otomana do século XIX, que permitiram uma maior apropriação da terra por “estrangeiros”. Um sujeito britânico contemporâneo, James Whittall, chegou a sugerir que a costa do mar Egeu otomano poderia tornar-se uma colônia e neste esforço “o primeiro e mais importante passo foi fazer ferrovias”. (Senior 1859, 206-207) De facto, em 1866, duas estradas de ferro separadas ligaram a cidade portuária de İzmir aos férteis vales dos rios Gediz e Menderes, transportando os valiosos produtos das regiões interiores para exportação para os mercados europeus. Embora inicialmente visto com intenção colonialista por Whittall e outros, um exame de jornais periódicos revela que os processos de construção e operação destes caminhos-de-ferro ocorreram dentro de uma dinâmica complexa que envolvia o controlo do espaço. Ansioso por permitir a construção de grandes obras de infraestrutura em seus domínios, o próprio Império Otomano foi um importante agente na produção e regulação de espaços ferroviários na Anatólia Ocidental. Esta comunicação usa periódicos contemporâneos locais e internacionais para examinar as maquinações mobilizadas tanto pelo governo otomano quanto pelas empresas ferroviárias para ganhar e manter o controlo dos espaços ferroviários no Império Otomano.

Palavras-Chave: Império otomano, construção ferroviária, Anatólia ocidental


9. Sophie Junge, University of Zurich, Switzerland, Suíça

“Mooi Indië”? A imprensa ilustrada e a imagem da urbanidade moderna na Indonésia colonial

As imagens das Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia) têm legitimado a atividade colonial holandesa desde o século XVII. Especialmente a fotografia do século XIX foi usada para demonstrar a autoridade holandesa no arquipélago. No entanto, não foi tanto a fotografia como a reprodução de imagens fotográficas em revistas ilustradas por volta de 1900 que fizeram da colónia um lugar para ser visto. Esta comunicação examina imagens de urbanidade colonial em revistas semanais ilustradas que foram produzidas nas Índias Orientais holandesas depois de 1900 como “Het Indische Leven”. Dentro dessas revistas as fotografias impressas e os textos criaram a imagem de cidades coloniais como Surabaya ou Semarang. Ao reproduzir um cânone específico de imagens durante um longo período de tempo, a imprensa ilustrada tem sido responsável por esse processo de iconização de lugares coloniais que reflete relações de poder e hierarquias sociais. Não só nas colónias a imprensa ilustrada tem sido lida como uma caraterística da modernização. Mas aqui as imagens e o texto freqüentemente mostram e contam uma história diferente de continuidade e atemporalidade dos lugares coloniais que questiona a ligação simples entre média impressos e modernização. A comunicação analisa estas representações contraditórias do espaço colonial para saber mais sobre (1) a criação de um cânone específico de imagens, (2) a receção da urbanidade colonial no início do século XX e (3) o seu significado em termos de Identidade nacional holandesa.

Palavras-Chave: fotografia colonial, Índias orientais holandesas, iconização, arquitetura, Surabaya


BIOGRAFIAS


Alice Santiago Faria 

Cibele E. V. Aldrovandi. Arqueóloga e Historiadora da Arte com doutorado pela Universidade de São Paulo. Atualmente, desenvolve um Projeto de Pós-Doutorado Sênior (CNPq) no DLCV-FFLCH-USP como pesquisadora associada do Projeto Temático “Pensando Goa”. Tem mais de 15 anos dedicados aos estudos do Sul da Ásia, com estadias regulares em instituições de pesquisa estrangeiras, nos E.U.A., Índia e França.

Corinna Schäfer é doutoranda em Media and Cultural Studies, University of Sussex (GB), onde obteve o grau de mestre. O seu projeto de investigação sobre redes e infraestruturas da nas colónias alemãs em África situa-se na área dos estudos dos media e da Geografia histórica. Ministrou um curso sobre o Império Britânico e os seus legados. É co-editora da revista de pós-graduação Brief Encounters.

Elvan Cobb é doutoranda em História da Arquitetura e Desenvolvimento Urbano na Cornell University’s. O seu projeto de investigação aborda a história da cidade moderna, com enfoque no Médio Oriente e nas interações entre a história do ambiente construído e a história da arqueológia, da viagem, e da tecnologia. A dissertação, intitulada “Railway Crossings: Encounters in Ottoman Lands,” analisa as práticas cotidianas relacionadas com o espaço e as perceções geradas pelo advento da primeira linha ferroviária na Anatólia a partir da cidade portuária de Izmir (Smyrna).

Germana Maria Araújo Sales possui Graduação em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (1989), Mestrado em Letras: Teoria Literária pela Universidade Federal do Pará (1997) e Doutorado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Atualmente é professora Associado III da Faculdade de Letras, do Instituto de Letras e Comunicação (ILC), da Universidade do Federal do Pará, com atividade docente na Graduação e Pós-Graduação, atuando especialmente em temáticas referentes à literatura do século XIX e ensino de Literatura.

Joaquim Manuel Rodrigues dos Santos (Bombarral, 1975). Licenciado em Arquitectura e mestre em Arquitectura, Território e Memória pela Universidade de Coimbra, especialista em Conservação e Restauração de Monumentos e Conjuntos Históricos pela Universidade Federal da Bahia, e doutor em Arquitectura pela Universidade de Alcalá de Henares. Encontra-se a desenvolver um projecto de pós-doutoramento no ARTIS – Instituto de História da Arte da Universidade de Lisboa sobre a salvaguarda do património arquitectónico de influência portuguesa na Índia. Actua na área da arquitectura, urbanismo, história da arquitectura e salvaguarda do património, de que decorreram diversas publicações, conferências e organização de eventos científicos.

Johan Lagae é Professor Catedrático na Ghent University, onde leciona arquitetura do século XX, com foco especial em contextos não europeus. O seu doutoramento abordou a arquitetura colonial no Congo Belga, tópico sobre o qual tem diversas publicações. Tem publicações também sobre outros tópicos, entre os quais: arquitetura do século XX; história urbana na África Central; conceito de património arquitetónico colonial. Os seus interesses atuais incluem: arquitetura e planeamento na África pós-independência; a emergência de ‘global expert’ na era pós-guerra; a relação entre arquitetura e burocracia, tanto na Bélgica quanto nos territórios coloniais. Co-organizou várias exposições sobre o Congo; entre 2010 e 2014 co-coordenou uma Ação COST dedicada ao tema “European Architecture beyond Europe”.

Pedro Guedes cresceu em Moçambique e fez os estudos de Arquitetura na Universidade de Cambridge, seguido do exercício da atividade professional em Londres; lecionou durante muitos anos na Associação de Arquitetura e no Royal College of Art. Emigrou para a Austrália em 1995, voltando para um contexto sub-tropical com que já estava familiarizado. Leciona na Universidade de Queensland. As suas principais áreas de investigação são a arquitetura colonial e a comunicação de ideias na longa distância.

Rui Simões é Licenciado em Antropologia [FCSH-UNL], pós-graduado em Psicologia Educacional [ISPA], Mestre em Sociologia [FCSH-UNL], e Doutor em Ciências da Educação [FCSH-UNL]. Exerceu a actividade docente no Instituto Politécnico de Setúbal, Instituto Politécnico de Macau e Universidade de Macau, leccionando atualmente na Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa. Os seus principais temas de pesquisa são sobre o Corpo e Jogos Tradicionais, os Soft powers, a Comunicação Intercultural e a Educação de matriz portuguesa na Ásia.

Sophie Junge trabalha no Centro de Estudos em Teoria e História da Fotografia no Institute of Art History da Universidade de Zurique. Atualmente, é investigadora da Swiss National Science Foundation na Univesidade de Leiden, para elaborar um projeto de pós-doutoramento sobre fotografia e imagens impressas nas Indias orientais holandesas pós-1900. Publicou em 2016 o livro “Art Against AIDS. Nan Goldin’s Exhibition Witnesses: Against our Vanishing”.

Valdiney Valente Lobato de Castro é graduado em letras pela Universidade Federal do Pará onde também cursou Mestrado em Letras: Teoria Literária. Atualmente cursa Doutorado em Letras com ênfase em Estudos Literários ainda pela Universidade Federal do Pará. É professor substituto da Universidade do Estado do Amapá e da Universidade Federal do Amapá. Estuda a produção machadiana com destaque para a circulação, leitura e recepção dos contos do autor, por isso pesquisa ainda sobre a leitura oitocentista.

%d bloggers like this: